sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Quantos segredos você tem?

É isso mesmo, pode me contar todos os seus segredos. Quantos você tem? Eu cá tenho, por alto, mais de vinte, mas se contratar especialista para investigar passo seguramente dos trinta.

Vão aí ao menos quatorze anos de segredos bem guardados, tanto que às vezes até os esqueço e tenho que pedir ajuda para lembrar ou inventar outros. Tem gente que conta versões de um único segredo, outros não se cansam de propagar incansavelmente a mesma versão por todos os lugares, já eu opto por segredos únicos para cada situação.

Mas calma, gente, não vou contar aqui com quem dormi ou deixei de dormir, quantas chantagens recebi ou, pior, apontar quem usou o cartão corporativo.

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Na semana passada, assim, por acaso, oba, descobri vinte e oito dilmas de saldo no ex-cartão alimentação. É hoje que compro um panetone de doce de leite, pensei. Ops, esqueci a senha do cartão.

Então decidi levantar o número de senhas que sou obrigado a decorar. Rapidamente contei vinte códigos distintos. É um absurdo. Não sou capaz de decorar um poema e, no entanto, guardo na memória tantas chaves que, aliás, têm de ser trocadas com regularidade.

Isso que nem sou tão tecnológico assim. Imagine quem tem senha para entrar em casa, acompanhar câmeras de segurança, já existe código para abrir o carro? E a infinidade de aplicativos e sites que exigem cadastro, será que decorar esse tanto de números e letras faz bem à memória?

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Entretanto, códigos de segurança são uma farsa. Qualquer hacker iniciante pode descobrir senhas domésticas. A segurança atual, virtual ou não, é mera convenção.

Enviei meu romance A Cura da Aids a um concurso literário por certo site de transferência de arquivos. No dia seguinte todos os arquivos haviam desaparecido da nuvem. Mas calma, eram back-ups antigos. Esperto que aprendi e aprendo a ser todos os dias, não faço cópia de segurança na nuvem.

Mas tem mais, uma semana depois o computador foi invadido e de quase vinte mil arquivos, adivinhe o único deletado. Exato, A Cura da Aids. Teorias de conspiração à parte, recomendo cuidado no compartilhamento de documentos autorais, fotos e vídeos e acesso a home banking. Depois não adianta reclamar e invocar Santa Carolina Dieckmann. 

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Bem, caso sirva de incentivo, lembra do panetone, após algumas tentativas lembrei da bendita senha do cartão e fui lá comprar. Ou teria sido brócolis... ainda não sei se guardar tantos códigos é mesmo benéfico para a memória.

E então, já fez a conta, quantos códigos você sabe de cor? Ah, não vá dizer que você anota a senha do cartão de crédito no verso, ali no campo de assinatura. Também compra bilhete de loteria premiado na rua? Não vacila, pô.

Pixa Bay - public domain

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