terça-feira, 20 de setembro de 2011

A areia que atrapalha a vista

Maciej Rylkiewicz

Viver duas realidades, mesmo que não incômodas, é corda bamba suspensa a poucos centímetros do chão, de onde se cai e para onde se volta com pouco esforço, ampliando ainda mais a angústia no sobe e desce, que representa o meio termo, o alto do muro, nunca um lado ou outro.


“As ideias ficam passando nas telas do sonho, enquanto me sinto perdido e sozinho na sala de paredes completamente brancas e vazias. Sou arremessado quase com violência contra as telas e o meu desejo fica esmagado sem possibilidade de manifestação, como se o meu corpo fosse uma marionete. Mas não há ninguém nem força alguma, sou eu mesmo que me levo para ali, projeto as imagens e me boicoto violentamente.”

Andar em dois mundos requer discernimento amplo para não se perder, seja nos mundos, seja de si. O espelho deve refletir sempre uma imagem, nunca duas. Caminhar por duas estradas é impossível, só o que se pode é alinhar necessidade e desejo na mesma caminhada: vender água e doces aos peregrinos enquanto se anda rumo ao destino sonhado.

Ou quem sabe, caçar nuvens quando elas descem para beber água!

Um comentário:

  1. Ao andar em dois mundos é preciso perceber que não é o mesmo.

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